O Que Nossos Pais Nos Contaram
Para o mestre de canto. Salmo didático dos filhos de Corá.
O povo recita a conquista que seus pais narraram e a confronta com o presente: derrotados, saqueados, vendidos a preço vil, motivo de piada entre as nações — e, insistem, sem terem abandonado a aliança. A oração termina perguntando ao seu Pai por que ele dorme.
44 1Ó nosso Pai, ouvimos com os nossos próprios ouvidos; nossos pais nos contaram a obra que fizeste nos dias deles, nos dias da antiguidade. 2Com a tua própria mão expulsaste as nações, mas plantaste os nossos pais; esmagaste os povos, mas libertaste os nossos pais. 3Pois não foi pela sua própria espada que tomaram a terra, nem o seu próprio braço os salvou; mas foram a tua destra, o teu braço e a luz do teu rosto—porque te agradaste deles.
4Tu és o meu Rei, ó nosso Pai; ordena as vitórias de Jacó. 5Por meio de ti rechaçamos os nossos adversários; pelo teu nome pisamos os que se levantam contra nós. 6Pois não confio no meu arco, e a minha espada não me salva. 7Mas tu nos salvaste dos nossos adversários e envergonhaste os que nos odeiam. 8Em nosso Pai nos gloriamos o dia todo, e para sempre louvaremos o teu nome. a a v8 Selá: uma marcação musical ou litúrgica no salmo, provavelmente indicando uma pausa ou um momento de reflexão silenciosa.
9Contudo, agora nos rejeitaste e nos cobriste de vergonha, e já não sais com os nossos exércitos. 10Fazes-nos recuar diante do adversário, e os que nos odeiam nos saqueiam à vontade. 11Entregas-nos como ovelhas para o abate e nos espalhaste entre as nações. 12Vendes o teu povo por quase nada e nada lucras com a sua venda. 13Fazes de nós motivo de zombaria para os nossos vizinhos, escarnecidos e desprezados pelos que estão ao nosso redor. 14Fazes de nós provérbio entre as nações, um povo diante do qual as outras nações meneiam a cabeça. 15O dia todo a minha desonra está diante de mim, e a vergonha me cobriu o rosto, 16à voz do que zomba e ultraja, diante do inimigo que se vinga.
17Tudo isso veio sobre nós, contudo não te esquecemos, nem traímos a tua aliança. 18O nosso coração não voltou atrás, nem os nossos passos se desviaram da tua vereda, 19ainda que nos tenhas esmagado na morada dos chacais e nos tenhas coberto de densas trevas. 20Se tivéssemos esquecido o nome do nosso Pai ou estendido as nossas mãos a um deus estranho, 21não o teria descoberto o nosso Pai? Pois ele conhece os segredos do coração. 22Contudo, por tua causa somos mortos o dia todo; somos considerados como ovelhas para o matadouro. b b v22 Paulo eleva este mesmo clamor para descrever os crentes que sofrem por seguir Jesus — contudo, "em todas estas coisas somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou" (Romanos 8:36-37). O Pai nunca abandona os seus filhos, mesmo quando a fidelidade custa tudo.
23Desperta! Por que dormes, ó Pai soberano? Levanta-te; não nos rejeites para sempre. 24Por que escondes o teu rosto e te esqueces da nossa aflição e da nossa opressão? 25Pois estamos prostrados até o pó; o nosso corpo se apega ao chão. 26Levanta-te e ajuda-nos! Resgata-nos por causa do teu amor fiel da aliança.