O Filho é Senhor do sábado
Espigas colhidas no sábado e uma mão atrofiada curada trazem acusações, e os fariseus começam a tramar sua morte, atribuindo seu poder a Belzebu. Ele responde que um reino dividido cai, que as palavras revelam o coração e que quem faz a vontade do Pai é sua família.
12 1Naquele tempo, Jesus atravessou os campos de trigo no sábado. Seus discípulos estavam com fome e começaram a colher espigas e a comê-las. 2Vendo isso, os fariseus lhe disseram: — Olha, os teus discípulos estão fazendo o que não é permitido no sábado.
3Ele lhes disse: — Vocês nunca leram o que Davi fez, quando ele e seus companheiros estavam com fome? 4Como entrou na casa do nosso Pai e comeu os pães da proposição, que não lhe era permitido comer, nem aos seus companheiros, mas somente aos sacerdotes? 5— Ou vocês não leram na Lei que, no sábado, os sacerdotes no templo profanam o sábado e ficam sem culpa? 6Pois eu lhes digo que aqui está o que é maior do que o templo. 7Se vocês soubessem o que significa “Quero misericórdia, e não sacrifício”, não teriam condenado os inocentes. 8Porque o Filho do Homem é Senhor do sábado.
A misericórdia do Pai cura no sábado
9Saindo dali, entrou na sinagoga deles. 10Havia ali um homem que tinha uma das mãos ressequida. E, para poderem acusá-lo, perguntaram a Jesus: — É permitido curar no sábado?
11Ele lhes disse: — Qual de vocês, tendo uma ovelha, se ela cair numa cova no sábado, não a agarrará e a tirará dali? 12Ora, quanto mais vale um ser humano do que uma ovelha! Portanto, é permitido fazer o bem no sábado. 13Então disse ao homem: — Estenda a sua mão. Ele a estendeu, e ela foi restaurada, sã como a outra.
14Mas os fariseus saíram e conspiraram como haveriam de matá-lo.
O Servo amado do Pai
15Jesus, sabendo disso, retirou-se dali. Muitos o seguiram, e ele a todos curou, 16e lhes ordenou que não o dessem a conhecer, 17para que se cumprisse o que fora dito pelo profeta Isaías:
18“Eis o meu servo — Jesus —, a quem escolhi, o meu amado, em quem a minha alma se compraz. Porei sobre ele o meu Espírito, e ele anunciará a justiça às nações. 19Não contenderá, nem gritará, e ninguém ouvirá pelas ruas a sua voz. 20Não esmagará a cana quebrada, nem apagará o pavio que fumega, até que faça triunfar a justiça; 21e no seu nome as nações porão a sua esperança.”
Um reino não pode subsistir dividido
22Então lhe trouxeram um endemoninhado cego e mudo; e ele o curou, de modo que o mudo passou a falar e a ver. 23E todas as multidões ficaram maravilhadas e diziam: — Não será este o Filho de Davi? 24Mas os fariseus, ouvindo isso, disseram: — Este homem não expulsa os demônios senão por Belzebu, príncipe dos demônios.
25Conhecendo os pensamentos deles, Jesus lhes disse: — Todo reino dividido contra si mesmo ficará arruinado, e nenhuma cidade ou casa dividida contra si mesma subsistirá. 26E, se Satanás expulsa Satanás, está dividido contra si mesmo. Como, então, subsistirá o seu reino? 27E, se eu expulso os demônios por Belzebu, por quem os expulsam os filhos de vocês? Por isso, eles mesmos serão os seus juízes. 28Mas, se eu expulso os demônios pelo Espírito do nosso Pai, então é chegado a vocês o reino do nosso Pai. 29Ou como pode alguém entrar na casa do homem forte e roubar os seus bens, sem primeiro amarrar o homem forte? Só então poderá saquear a sua casa.
30Quem não é comigo é contra mim; e quem comigo não ajunta espalha. 31Por isso eu lhes digo: todo pecado e blasfêmia serão perdoados aos homens; mas a blasfêmia contra o Espírito não será perdoada. 32Se alguém falar contra o Filho do Homem, ser-lhe-á perdoado; mas, se alguém falar contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado, nem neste mundo, nem no porvir.
33Ou considerem boa a árvore e bom o seu fruto, ou considerem má a árvore e mau o seu fruto; porque pelo fruto se conhece a árvore. 34Raça de víboras! Como podem falar coisas boas, sendo maus? Pois a boca fala do que está cheio o coração. 35O homem bom tira boas coisas do seu bom tesouro, e o homem mau tira coisas más do seu mau tesouro. 36Eu lhes digo que, no dia do juízo, os homens hão de dar conta de toda palavra inútil que proferirem; 37porque, pelas suas palavras, você será justificado e, pelas suas palavras, será condenado.
O sinal de Jonas
38Então alguns escribas e fariseus disseram: — Mestre, queremos ver da tua parte algum sinal.
39Mas ele lhes respondeu: — Uma geração má e adúltera pede um sinal; e nenhum sinal lhe será dado, senão o sinal do profeta Jonas. 40Pois, como Jonas esteve três dias e três noites no ventre do grande peixe, assim o Filho do Homem estará três dias e três noites no coração da terra. 41Os ninivitas se levantarão no juízo com esta geração e a condenarão, porque se arrependeram com a pregação de Jonas. E eis aqui está o que é maior do que Jonas. 42A rainha do Sul se levantará no juízo com esta geração e a condenará, porque veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão. E eis aqui está o que é maior do que Salomão.
43Quando o espírito imundo sai de uma pessoa, anda por lugares áridos, buscando repouso, e não o encontra. 44Então diz: “Voltarei para a minha casa, de onde saí.” E, ao chegar, encontra-a vazia, varrida e adornada. 45Então vai e leva consigo outros sete espíritos piores do que ele; eles entram e passam a morar ali; e o último estado daquela pessoa torna-se pior do que o primeiro. Assim será também com esta geração má.
A verdadeira família do Pai
46Enquanto ele ainda falava às multidões, estavam do lado de fora a sua mãe e os seus irmãos, querendo falar com ele. 47Alguém lhe disse: — Olha, a tua mãe e os teus irmãos estão lá fora e querem falar contigo.
48Ele, porém, respondeu ao que lhe falava: — Quem é a minha mãe, e quem são os meus irmãos?
49E, estendendo a mão para os seus discípulos, disse: — Eis aqui a minha mãe e os meus irmãos! 50Pois qualquer que fizer a vontade do meu Pai que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe.