O plano de nosso Pai para o casamento
Sobre o divórcio, Jesus volta à criação e ao que nosso Pai uniu. Ele acolhe as crianças, e um homem rico a quem amou vai embora entristecido. Tiago e João pedem tronos e ouvem sobre servir e resgate. O cego Bartimeu grita mais alto que a multidão e recebe a vista.
10 1Partindo dali, foi para a região da Judeia e para além do Jordão; e as multidões novamente se reuniram a ele, e, como de costume, ele voltou a ensiná-las.
2Alguns fariseus se aproximaram para pô-lo à prova, perguntando: “É lícito ao homem repudiar a sua mulher?”
3Ele lhes respondeu: “Que foi que Moisés vos ordenou?”
4Disseram: “Moisés permitiu ao homem escrever uma carta de divórcio e mandá-la embora.”
5Jesus lhes disse: “Foi por causa da dureza do vosso coração que ele vos escreveu esse mandamento. 6Mas, desde o princípio da criação, nosso Pai os fez homem e mulher. 7‘Por essa razão, deixará o homem seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher, 8e os dois se tornarão uma só carne.’ De modo que já não são dois, mas uma só carne. 9Portanto, o que nosso Pai uniu, ninguém o separe.”
10De volta a casa, os discípulos voltaram a interrogá-lo sobre isso.
11Ele lhes disse: “Quem repudiar a sua mulher e se casar com outra comete adultério contra ela; 12e, se ela repudiar o seu marido e se casar com outro, comete adultério.”
O Pai acolhe as crianças
13Traziam-lhe crianças para que as tocasse, mas os discípulos os repreendiam.
14Vendo isso, Jesus indignou-se e disse: “Deixai vir a mim as crianças; não as impeçais, porque o reino do nosso Pai é dos que são como elas. 15Em verdade vos digo: quem não receber o reino do nosso Pai como uma criança de maneira nenhuma entrará nele.”
16E, tomando-as nos braços, as abençoava, impondo-lhes as mãos.
O homem que tinha muito, mas lhe faltava uma coisa
17Quando ele se punha a caminho, um homem correu ao seu encontro, ajoelhou-se diante dele e perguntou: “Bom Mestre, que devo fazer para herdar a vida eterna?”
18Jesus lhe perguntou: “Por que me chamas bom? Ninguém é bom, senão um só, que é nosso Pai. 19Conheces os mandamentos: ‘não matarás, não adulterarás, não furtarás, não dirás falso testemunho; não defraudarás; honra teu pai e tua mãe.’”
20Ele lhe disse: “Mestre, tudo isso tenho guardado desde a minha juventude.”
21Jesus olhou para ele e o amou. “Uma coisa te falta: vai, vende tudo o que tens, dá aos pobres — e terás um tesouro no céu — depois vem e segue-me.”
22Diante dessa palavra, ele ficou abatido e foi-se entristecido, porque possuía muitos bens.
23Jesus olhou ao redor e disse aos seus discípulos: “Quão difícil será para os ricos entrar no reino do nosso Pai!”
24Os discípulos ficaram admirados com as suas palavras. Jesus lhes disse novamente: “Filhos, quão difícil é entrar no reino do nosso Pai! 25É mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no reino do nosso Pai.”
26Eles ficaram ainda mais assombrados e diziam uns aos outros: “Quem, então, pode ser salvo?”
27Jesus olhou para eles e disse: “Para os homens é impossível, mas não para nosso Pai, pois para nosso Pai todas as coisas são possíveis.”
28Pedro começou a dizer-lhe: “Eis que nós deixamos tudo e te seguimos.”
29Jesus respondeu: “Em verdade vos digo: ninguém há que tenha deixado casa, ou irmãos, ou irmãs, ou mãe, ou pai, ou filhos, ou campos por amor de mim e do evangelho,
30que não receba cem vezes mais agora, neste tempo — casas, irmãos, irmãs, mães, filhos, campos, com perseguições — e, no mundo por vir, a vida eterna. 31Mas muitos dos primeiros serão os últimos, e os últimos serão os primeiros.”
Jesus prediz a sua morte pela terceira vez
32Estavam a caminho, subindo para Jerusalém, e Jesus ia adiante deles. Eles estavam admirados, e os que o seguiam estavam com medo. Tomando de novo à parte os doze, começou a dizer-lhes o que estava para lhe acontecer:
33“Eis que subimos para Jerusalém, e o Filho do Homem será entregue aos principais sacerdotes e aos escribas; eles o condenarão à morte e o entregarão aos gentios. 34Estes zombarão dele, cuspirão nele, o açoitarão e o matarão; e, depois de três dias, ele ressuscitará.”
A grandeza por meio do serviço
35Tiago e João, filhos de Zebedeu, aproximaram-se dele e disseram: “Mestre, queremos que faças por nós o que te pedirmos.”
36Ele lhes perguntou: “Que quereis que eu vos faça?”
37Responderam-lhe: “Concede-nos que, na tua glória, nos assentemos um à tua direita e outro à tua esquerda.”
38Jesus lhes disse: “Não sabeis o que pedis. Podeis beber o cálice que eu bebo, ou ser batizados com o batismo com que eu sou batizado?”
39“Podemos”, responderam eles. Jesus lhes disse: “O cálice que eu bebo, vós o bebereis; e com o batismo com que eu sou batizado, sereis batizados; 40mas o assentar-se à minha direita ou à minha esquerda não me cabe concedê-lo; é para aqueles a quem está preparado.”
41Ouvindo isso, os dez começaram a indignar-se contra Tiago e João.
42Jesus os chamou e disse: “Sabeis que os que são tidos como governantes dos gentios os dominam, e os seus grandes exercem poder sobre eles. 43Entre vós, porém, não é assim. Pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós será o vosso servo, 44e quem quiser ser o primeiro entre vós será o escravo de todos. 45Pois também o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos.”
Bartimeu recebe a visão
46Chegaram a Jericó. Quando Jesus saía da cidade com os seus discípulos e uma grande multidão, o cego Bartimeu, filho de Timeu, estava sentado à beira do caminho, mendigando. 47Ouvindo que era Jesus de Nazaré, começou a clamar: “Jesus, Filho de Davi, tem misericórdia de mim!” 48Muitos o repreendiam para que se calasse, mas ele gritava ainda mais alto: “Filho de Davi, tem misericórdia de mim!”
49Jesus parou e disse: “Chamai-o.” Chamaram, então, o cego: “Coragem! Levanta-te; ele te chama.”
50Lançando de si a capa, ele deu um salto e foi ter com Jesus.
51Jesus lhe perguntou: “Que queres que eu te faça?” O cego lhe respondeu: “Raboni, que eu torne a ver.” a a v51 “Raboni” é um modo profundamente pessoal e afetuoso de se dirigir a Jesus — “meu mestre”, dito com plena confiança.
52Jesus lhe disse: “Vai; a tua fé te salvou.” No mesmo instante, ele recuperou a visão e seguiu Jesus pelo caminho.