Jesus busca e salva Zaqueu
Zaqueu sobe numa árvore, é chamado a receber Jesus em casa e dá metade de tudo o que tem. Uma parábola sobre servos que negociam com o dinheiro do seu senhor vem antes da entrada em Jerusalém, onde as multidões aclamam, Jesus chora sobre a cidade e depois expulsa os comerciantes da casa de seu Pai.
19 1Jesus entrou em Jericó e ia atravessando a cidade. 2E havia ali um homem chamado Zaqueu; era um chefe dos cobradores de impostos e era rico. 3Ele queria ver quem era Jesus, mas não conseguia por causa da multidão, pois era de baixa estatura. 4Então correu adiante e subiu num sicômoro para vê-lo, pois Jesus estava para passar por ali.
5Quando Jesus chegou àquele lugar, olhou para cima e lhe disse: — Zaqueu, desce depressa, pois hoje preciso ficar em sua casa.
6Então ele desceu depressa e o recebeu com alegria. 7Vendo isso, todos murmuravam: — Ele foi hospedar-se na casa de um homem pecador.
8Zaqueu, porém, levantou-se e disse ao Senhor: — Olha, Senhor, dou aos pobres a metade dos meus bens; e, se de alguém extorqui alguma coisa, restituo quatro vezes mais.
9Jesus lhe disse: — Hoje veio a salvação a esta casa, porquanto também este é filho de Abraão. 10Pois o Filho do Homem veio buscar e salvar o que estava perdido.
Servos fiéis aguardam o Rei
11Enquanto eles escutavam, acrescentou uma parábola, pois estava perto de Jerusalém e eles pensavam que o reino do nosso Pai haveria de manifestar-se imediatamente.
12Disse, pois: — Certo homem nobre partiu para uma terra distante, a fim de receber para si um reino e depois voltar. 13Chamando dez dos seus servos, deu a cada um cerca de três meses de salário, dizendo: “Negociai com isto até que eu volte.” 14Mas os seus concidadãos o odiavam e enviaram após ele uma embaixada, dizendo: “Não queremos que este homem reine sobre nós.”
15— Ao voltar, depois de haver recebido o reino, mandou chamar os servos a quem tinha dado o dinheiro, para saber o que cada um havia lucrado. 16Veio o primeiro, dizendo: “Senhor, o teu dinheiro rendeu dez vezes mais.”
17— Ele lhe respondeu: “Muito bem, servo bom! Já que foste fiel no pouco, terás autoridade sobre dez cidades.”
18— E veio o segundo, dizendo: “Senhor, o dinheiro que me deste rendeu cinco vezes mais.”
19— E a este disse: “Tu também terás autoridade sobre cinco cidades.”
20— Então veio outro, dizendo: “Senhor, aqui está o teu dinheiro, que guardei embrulhado num pano; 21pois tive medo de ti, porque és homem severo: tiras o que não depositaste e ceifas o que não semeaste.”
22Ele respondeu: — Pela tua própria boca te julgo, servo mau! Sabias que sou homem severo, que tiro o que não depositei e ceifo o que não semeei? 23Por que, então, não puseste o meu dinheiro no banco? Assim, ao voltar, eu o teria recebido com juros. 24E disse aos que estavam ali: “Tirai-lhe o dinheiro e dai-o ao que tem dez vezes mais.”
25— E eles lhe disseram: “Senhor, ele já tem dez vezes mais!” 26— Eu vos digo: a todo aquele que tem, mais lhe será dado; mas ao que não tem, até o que tem lhe será tirado. 27Quanto àqueles meus inimigos que não quiseram que eu reinasse sobre eles, trazei-os aqui e matai-os na minha presença.
O Filho entra em Jerusalém como Rei
28Tendo dito isto, seguiu adiante, subindo para Jerusalém.
29Ao aproximar-se de Betfagé e de Betânia, junto ao monte chamado das Oliveiras, enviou dois dos discípulos, 30dizendo: — Ide à aldeia que está adiante. Ao entrardes, encontrareis um jumentinho amarrado, no qual ninguém jamais montou. Desamarrai-o e trazei-o aqui. 31Se alguém vos perguntar: “Por que o desamarrais?”, direis assim: “O Senhor precisa dele.”
32Os que foram enviados partiram e encontraram tudo como ele lhes tinha dito. 33Enquanto desamarravam o jumentinho, os seus donos lhes disseram: — Por que desamarrais o jumentinho? 34E eles responderam: — O Senhor precisa dele. 35Então o trouxeram a Jesus e, lançando as suas capas sobre o jumentinho, fizeram Jesus montar nele. 36E, à medida que ele avançava, estendiam as suas capas pelo caminho. 37Quando já se aproximava da descida do monte das Oliveiras, toda a multidão dos discípulos começou a alegrar-se e a louvar em alta voz o nosso Pai por todos os prodígios que tinham visto, 38dizendo: — Bendito é o Rei que vem em nome do nosso Pai! Paz no céu e glória nas maiores alturas!
39Alguns dos fariseus que estavam no meio da multidão lhe disseram: — Mestre, repreende os teus discípulos.
40Ele respondeu: — Eu vos digo que, se estes se calarem, as próprias pedras clamarão.
41Quando se aproximou e viu a cidade, chorou sobre ela,
42dizendo: — Ah! Se conhecesses hoje o que te traz a paz! Mas agora isso está oculto aos teus olhos. 43Dias virão em que os teus inimigos levantarão uma trincheira ao teu redor, te cercarão e te apertarão por todos os lados, 44e te arrasarão, a ti e aos teus filhos dentro dos teus muros, e não deixarão em ti pedra sobre pedra, porque não reconheceste o tempo da tua visitação. a a v44 O "tempo da tua visitação" é o tempo em que Deus veio a Jerusalém na pessoa de Jesus.
Jesus purifica a casa de seu Pai
45E, entrando no templo, começou a expulsar os que ali vendiam,
46dizendo-lhes: — A Escritura diz: “A minha casa será casa de oração”, mas vós a transformastes num covil de ladrões.
47Todos os dias ele ensinava no templo, enquanto os principais sacerdotes, os escribas e os líderes do povo procuravam uma forma de matá-lo, 48mas não achavam meio de fazê-lo, porque todo o povo estava atento, pendente das suas palavras.