O Pai Entrega os Reis de Midiã
Gideão acalma Efraim, que se sentia ofendido, castiga Sucote e Peniel por lhe negarem pão e mata os reis que mataram seus irmãos. Recusa a coroa dizendo que é o nosso Pai quem vai reinar. Depois faz com o despojo um éfode que leva todo o Israel a se prostituir, e a nação volta a esquecer.
8 1Então os homens de Efraim disseram: “Por que nos trataste assim, não nos chamando quando foste lutar contra Midiã?” E discutiram acaloradamente com ele. 2Mas ele lhes disse: “Que fiz eu agora, comparado com o que vós fizestes? Não são melhores os rabiscos de Efraim do que a vindima de Abiezer? 3Nosso Pai entregou nas vossas mãos os príncipes de Midiã, Orebe e Zeebe. Que pude eu fazer, comparado com o que vós fizestes?” Ao ouvirem essas palavras, abrandou-se a ira que tinham contra ele.
4Gideão chegou ao Jordão e o atravessou, ele e os seus trezentos homens, exaustos, mas ainda em perseguição. 5Ele disse aos homens de Sucote: “Dai, por favor, pães aos que me seguem, pois estão esgotados, e eu vou perseguindo Zeba e Zalmuna, os reis de Midiã.”
6Mas os príncipes de Sucote disseram: “Já tens em teu poder as mãos de Zeba e de Zalmuna, para que demos pão ao teu exército?”
7Então Gideão disse: “Pois bem! Quando nosso Pai entregar Zeba e Zalmuna nas minhas mãos, trilharei a vossa carne com os espinhos e os abrolhos do deserto.”
8Dali subiu a Peniel e falou-lhes da mesma maneira; e os homens de Peniel lhe responderam como haviam respondido os homens de Sucote. 9Por isso disse também aos homens de Peniel: “Quando eu voltar em paz, derrubarei esta torre.”
10Ora, Zeba e Zalmuna estavam em Carcor com os seus exércitos, cerca de quinze mil homens, todos os que restaram de todo o exército dos povos do oriente; pois haviam caído cento e vinte mil homens que puxavam da espada. 11Gideão subiu pelo caminho dos que habitavam em tendas, ao oriente de Noba e de Jogbeá, e feriu aquele exército, quando o exército se sentia seguro. 12Zeba e Zalmuna fugiram; mas ele os perseguiu, capturou os dois reis de Midiã, Zeba e Zalmuna, e pôs em pânico todo o exército. 13Então Gideão, filho de Joás, voltou da batalha pela subida de Heres. 14Capturou um jovem dos homens de Sucote e o interrogou; e o jovem lhe escreveu os nomes dos príncipes e dos anciãos de Sucote, setenta e sete homens. 15Depois veio aos homens de Sucote e disse: “Aqui estão Zeba e Zalmuna, a respeito dos quais me escarnecestes, dizendo: ‘Já tens em teu poder as mãos de Zeba e de Zalmuna, para que demos pão aos teus homens cansados?’” 16Tomou os anciãos da cidade e, com os espinhos e os abrolhos do deserto, deu uma lição aos homens de Sucote. 17Também derrubou a torre de Peniel e matou os homens da cidade.
18Depois perguntou a Zeba e a Zalmuna: “Como eram os homens que matastes em Tabor?” Eles responderam: “Como tu, cada um parecia filho de rei.”
19Ele disse: “Eram meus irmãos, filhos da minha mãe. Tão certo como vive o nosso Pai, se os tivésseis poupado, eu não vos mataria.”
20E disse a Jéter, o seu primogênito: “Levanta-te e mata-os!” Mas o jovem não puxou da espada, porque temia, pois ainda era menino.
21Então disseram Zeba e Zalmuna: “Levanta-te tu mesmo e arremete contra nós, porque tal é o homem, tal a sua força.” Levantou-se, pois, Gideão e matou Zeba e Zalmuna, e tomou os ornamentos em forma de meia-lua que estavam nos pescoços dos seus camelos.
Gideão Recusa Reinar
22Então os homens de Israel disseram a Gideão: “Domina sobre nós, tanto tu como o teu filho e o filho do teu filho, pois nos livraste das mãos de Midiã.”
23Gideão, porém, lhes respondeu: “Não dominarei sobre vós, nem meu filho dominará sobre vós; nosso Pai é quem dominará sobre vós.” 24Disse-lhes mais Gideão: “Um pedido vos faço: cada um de vós me dê os brincos do seu despojo.” (Pois os inimigos tinham brincos de ouro, porque eram ismaelitas.)
25Eles responderam: “De boa vontade os daremos.” E estenderam um manto, e cada um deles lançou ali os brincos do seu despojo. 26E o peso dos brincos de ouro que ele pediu foi de mil e setecentos siclos de ouro, além dos ornamentos em forma de meia-lua, dos pendentes e das vestes de púrpura que traziam os reis de Midiã, e além das correntes que estavam nos pescoços dos seus camelos. 27Com isso Gideão fez uma estola sacerdotal e a colocou na sua cidade, em Ofra; e todo o Israel se prostituiu ali após ela, e ela se tornou um laço para Gideão e para a sua casa.
Quarenta Anos de Paz
28Assim foi subjugado Midiã diante dos filhos de Israel, e nunca mais levantou a cabeça. E a terra teve paz por quarenta anos, nos dias de Gideão. 29Então Jerubaal, filho de Joás, foi e habitou na sua própria casa. 30E teve Gideão setenta filhos, todos gerados por ele, porque tinha muitas mulheres. 31A sua concubina que estava em Siquém também lhe deu à luz um filho, ao qual ele pôs o nome de Abimeleque. a a v31 O nome Abimeleque significa “meu pai é rei” — um nome impressionante, dada a recusa de Gideão em ser rei neste mesmo capítulo.
32Morreu Gideão, filho de Joás, em boa velhice, e foi sepultado no túmulo de Joás, seu pai, em Ofra dos abiezritas.
33Depois que Gideão morreu, os filhos de Israel tornaram a prostituir-se após os baalins e puseram a Baal-Berite por seu deus. 34Os filhos de Israel não se lembraram do nosso Pai, que os havia livrado das mãos de todos os seus inimigos ao redor; 35nem usaram de bondade para com a casa de Jerubaal (Gideão), conforme todo o bem que ele havia feito a Israel.