O Seu Tempo Ainda Não Chegou
Na Festa dos Tabernáculos, Jesus ensina abertamente, dizendo que o ensino é de seu Pai e não seu, enquanto os líderes buscam um jeito de matá-lo e a multidão discute de onde ele vem. Ele chama os sedentos para beber. Os guardas voltam de mãos vazias.
7 1Depois disso, Jesus percorria a Galileia, pois não queria ir para a Judeia, porque os líderes judeus de lá procuravam uma oportunidade para matá-lo. 2Mas a Festa judaica dos Tabernáculos estava próxima. a a v2 A Festa dos Tabernáculos (ou das Cabanas) era uma festa outonal de uma semana, quando Israel habitava em abrigos temporários, lembrando-se dos anos no deserto. 3Os seus irmãos lhe disseram: “Sai daqui e vai para a Judeia, para que também os teus discípulos vejam as obras que fazes. 4Ninguém que busca reconhecimento público esconde o que faz. Se realizas estas coisas, mostra-te ao mundo.” 5Pois nem mesmo os seus irmãos criam nele.
6Então Jesus lhes disse: “O meu tempo ainda não chegou, mas para vós qualquer tempo é oportuno.
7O mundo não pode odiar a vós, mas a mim odeia, porque dou testemunho de que as suas obras são más. 8Subi vós à festa; eu não subo a esta festa, pois o meu tempo ainda não se cumpriu plenamente.”
9Tendo dito isso, permaneceu na Galileia. 10Depois que os seus irmãos subiram à festa, ele também subiu — não abertamente, mas em segredo.
11Os líderes judeus, então, procuravam-no na festa e perguntavam: “Onde está ele?” 12Havia muito murmúrio a respeito dele entre as multidões: alguns diziam: “Ele é bom”; outros: “Não, ele engana o povo.” 13Contudo, ninguém falava abertamente a respeito dele, por medo dos líderes judeus. 14Já pela metade da festa, Jesus subiu ao templo e começou a ensinar.
15Os líderes judeus ficaram admirados e perguntavam: “Como sabe este homem tantas coisas, sem ter estudado?”
16Jesus lhes respondeu: “O meu ensino não é meu, mas daquele que me enviou. 17Quem quiser fazer a vontade do nosso Pai saberá se o meu ensino vem do meu Pai ou se falo por mim mesmo. 18Quem fala por si mesmo busca a sua própria glória, mas quem busca a glória daquele que o enviou é verdadeiro, e nele não há falsidade. 19Não foi Moisés que vos deu a lei? Contudo, nenhum de vós cumpre a lei. Por que procurais matar-me?”
20A multidão respondeu: “Tens um demônio! Quem procura matar-te?”
21Jesus respondeu: “Realizei uma só obra, e todos vós ficais admirados.
22Moisés vos deu a circuncisão — não que ela venha de Moisés, mas dos patriarcas — e vós circuncidais um homem no sábado. 23Se um homem é circuncidado no sábado, para que a lei de Moisés não seja violada, por que vos indignais comigo por eu ter curado um homem inteiro no sábado? 24Deixai de julgar pelas aparências e julgai com reto juízo.”
De Onde Ele É?
25Então alguns dos habitantes de Jerusalém disseram: “Não é este o homem que procuram matar? 26Contudo, ele fala abertamente, e nada lhe dizem. Será que os governantes realmente reconheceram que este é o Cristo? 27Mas nós sabemos de onde este homem é. Quando o Cristo vier, ninguém saberá de onde ele é.”
28Então Jesus, ensinando no templo, exclamou: “Vós me conheceis e sabeis de onde sou. No entanto, não vim por mim mesmo; aquele que me enviou é verdadeiro, e vós não o conheceis. 29Eu o conheço, porque venho dele, e foi ele quem me enviou.”
30Procuravam, então, prendê-lo, mas ninguém lhe pôs as mãos, porque a sua hora ainda não havia chegado. 31Muitos da multidão, porém, creram nele e diziam: “Quando o Cristo vier, fará mais sinais do que os que este homem tem feito?” 32Os fariseus ouviram a multidão murmurar essas coisas a respeito dele; então os principais sacerdotes e os fariseus enviaram guardas do templo para prendê-lo.
33Disse-lhes, pois, Jesus: “Ainda por um pouco de tempo estou convosco, e depois vou para aquele que me enviou. 34Haveis de procurar-me e não me achareis; onde eu estou, vós não podeis ir.”
35Os líderes judeus, então, perguntavam uns aos outros: “Para onde pretende ele ir, que não haveremos de encontrá-lo? Pretende ir ao nosso povo disperso entre os gregos e ensinar os gregos? 36Que significa o que ele disse: ‘Haveis de procurar-me e não me achareis’ e ‘Onde eu estou, vós não podeis ir’?”
37No último e grande dia da festa, Jesus se pôs em pé e clamou: “Se alguém tem sede, venha a mim e beba. 38Quem crê em mim, como diz a Escritura, do seu coração fluirão rios de água viva.”
39Ele disse isso a respeito do Espírito Santo, que haviam de receber os que nele cressem; pois o Espírito ainda não havia sido dado, visto que Jesus ainda não fora glorificado.
40Ao ouvir essas palavras, alguns da multidão disseram: “Este é, verdadeiramente, o Profeta.” 41Outros diziam: “Este é o Cristo.” Mas outros perguntavam: “Como pode o Cristo vir da Galileia? 42Não diz a Escritura que o Cristo vem da descendência de Davi e de Belém, a aldeia de Davi?” 43Houve, então, divisão na multidão por causa dele. 44Alguns deles queriam prendê-lo, mas ninguém lhe pôs as mãos.
45Voltaram, então, os guardas do templo aos principais sacerdotes e fariseus, que lhes perguntaram: “Por que não o trouxestes?”
46Os guardas responderam: “Jamais alguém falou como este homem.”
47“Também vós fostes enganados?” — responderam os fariseus. 48“Acaso algum dos governantes ou dos fariseus creu nele? 49Mas esta multidão, que nada sabe da lei, está debaixo de maldição.”
50Nicodemos, que antes fora ter com Jesus e era um deles, perguntou-lhes: 51“Acaso a nossa lei condena um homem sem primeiro ouvi-lo e saber o que ele faz?”
52Eles responderam: “És tu também da Galileia? Pesquisa e verás: da Galileia não se levanta profeta algum.”
53Então cada um foi para a sua casa. b b v53 Este relato não se encontra nos manuscritos mais antigos de João, e cópias posteriores o colocam em diferentes pontos. É aqui impresso, onde a tradição o fixou, como na maioria das Bíblias modernas.