Pão para a Multidão Faminta
Cinco pães alimentam milhares, e a multidão quer um rei. Jesus vai até eles andando sobre a água, depois lhes diz que seu Pai dá o verdadeiro pão do céu, e que ele é esse pão, sua carne dada pelo mundo. Muitos discípulos desistem; Pedro não tem para onde mais ir.
6 1Depois disto, Jesus atravessou o mar da Galileia, também chamado mar de Tiberíades. 2Uma grande multidão o seguia, porque via os sinais que ele realizava sobre os enfermos. 3Jesus subiu ao monte e ali se assentou com os seus discípulos. 4Ora, estava próxima a Páscoa, a festa dos judeus.
5Erguendo os olhos, Jesus viu que uma grande multidão se aproximava e perguntou a Filipe: — Onde compraremos pão para que esta gente coma?
6Ele disse isto para pô-lo à prova, pois ele mesmo já sabia o que ia fazer.
7Filipe lhe respondeu: — Duzentos dias de salário em pão não bastariam para que cada um recebesse um pouco. a a v7 Um denário equivalia mais ou menos ao salário de um dia; duzentos denários correspondiam a cerca de oito meses de pagamento.
8Um dos seus discípulos, André, irmão de Simão Pedro, disse a ele: 9— Está aqui um menino que tem cinco pães de cevada e dois peixes; mas o que é isto para tanta gente?
10Jesus disse: — Fazei as pessoas assentar-se. Havia muita relva naquele lugar, e assim assentaram-se cerca de cinco mil homens.
11Então Jesus tomou os pães, deu graças e os distribuiu aos que estavam assentados; e igualmente os peixes, quanto queriam.
12Quando ficaram fartos, disse aos seus discípulos: — Recolhei os pedaços que sobraram, para que nada se perca.
13Recolheram-nos, pois, e encheram doze cestos com os pedaços dos cinco pães de cevada que sobraram aos que haviam comido. 14Vendo, pois, aquelas pessoas o sinal que ele fizera, diziam: — Este é verdadeiramente o Profeta que devia vir ao mundo! 15Sabendo que pretendiam vir arrebatá-lo para o proclamarem rei, Jesus retirou-se novamente, sozinho, para o monte.
Em Meio à Tempestade
16Ao cair da tarde, os seus discípulos desceram para o mar, 17entraram num barco e partiram para o outro lado do mar, rumo a Cafarnaum. Já estava escuro, e Jesus ainda não tinha vindo até eles. 18Soprava um vento forte, e o mar se agitava. 19Depois de terem remado uns cinco ou seis quilômetros, viram Jesus andando sobre as águas e aproximando-se do barco; e ficaram com medo.
20Mas ele lhes disse: — Sou eu; não tenhais medo.
21Então, de bom grado, o receberam no barco, e no mesmo instante o barco chegou à praia para onde se dirigiam.
22No dia seguinte, a multidão que ficara do outro lado do mar viu que ali houvera apenas um barco, e que Jesus não entrara nele com os seus discípulos, mas que estes tinham partido sozinhos. 23Outros barcos, porém, vieram de Tiberíades, para perto do lugar onde tinham comido o pão, depois de o Senhor ter dado graças. 24Quando, pois, a multidão viu que Jesus não estava ali, nem os seus discípulos, entraram nos barcos e foram a Cafarnaum em busca de Jesus. 25Encontrando-o do outro lado do mar, perguntaram-lhe: — Rabi, quando chegaste aqui?
26Jesus lhes respondeu: — Em verdade, em verdade vos digo: vós me buscais não porque vistes sinais, mas porque comestes dos pães e vos saciastes. 27Não trabalheis pela comida que perece, mas pela comida que permanece para a vida eterna, a qual o Filho do Homem vos dará. Pois foi nele que o nosso Pai imprimiu o seu selo.
28Perguntaram-lhe, então: — Que devemos fazer para realizar as obras do nosso Pai?
29Jesus lhes respondeu: — A obra do nosso Pai é esta: que creiais naquele que ele enviou.
30Perguntaram-lhe, pois: — Que sinal, então, farás, para que o vejamos e creiamos em ti? Que obra realizarás? 31Nossos antepassados comeram o maná no deserto, como está escrito: “Deu-lhes a comer pão do céu.”
32Jesus lhes disse: — Em verdade, em verdade vos digo: não foi Moisés que vos deu o pão do céu; é o meu Pai que vos dá o verdadeiro pão do céu. 33Porque o pão do nosso Pai é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo.
34Disseram-lhe, então: — Senhor, dá-nos sempre desse pão.
35Jesus lhes disse: — Eu sou o pão da vida. Aquele que vem a mim jamais terá fome; e quem crê em mim jamais terá sede. 36Mas, como vos disse, vós me tendes visto e, contudo, não credes. 37Todo aquele que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de modo algum lançarei fora. 38Porque desci do céu não para fazer a minha própria vontade, mas a vontade daquele que me enviou. 39E esta é a vontade daquele que me enviou: que eu não perca nenhum de todos os que ele me deu, mas os ressuscite no último dia. 40Pois esta é a vontade do meu Pai: que todo aquele que contempla o Filho e nele crê tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia.
41Então os judeus murmuravam a respeito dele, porque dissera: “Eu sou o pão que desceu do céu.”
42E diziam: — Não é este Jesus, o filho de José, cujo pai e mãe conhecemos? Como, então, diz ele: “Desci do céu”?
43Jesus lhes respondeu: — Não murmureis entre vós.
44Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o atrair; e eu o ressuscitarei no último dia. b b v44 Vir a Jesus é iniciativa do nosso Pai — ele atrai os seus filhos para o Filho com um amor que os busca, e não com um poder que os obriga. 45Está escrito nos Profetas: “E todos serão ensinados por nosso Pai.” Todo aquele que ouviu o Pai e dele aprendeu vem a mim. 46Não que alguém tenha visto o Pai, a não ser aquele que vem de nosso Pai; esse é quem viu o Pai. 47Em verdade, em verdade vos digo: quem crê tem a vida eterna. 48Eu sou o pão da vida. 49Vossos antepassados comeram o maná no deserto e, contudo, morreram. 50Este é o pão que desce do céu, para que todo aquele que dele comer não morra. 51Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Se alguém comer deste pão, viverá para sempre. E o pão que eu darei é a minha carne, que darei pela vida do mundo.
52Então os judeus discutiam acaloradamente entre si: — Como pode este homem dar-nos a sua carne para comer?
53Jesus lhes disse: — Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmos. 54Quem se alimenta da minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. 55Pois a minha carne é verdadeira comida, e o meu sangue é verdadeira bebida. 56Quem se alimenta da minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim, e eu nele. 57Assim como o Pai vivo me enviou, e eu vivo pelo Pai, também aquele que se alimenta de mim viverá por mim. 58Este é o pão que desceu do céu. Não é como aquele que os vossos antepassados comeram e, contudo, morreram. Quem se alimenta deste pão viverá para sempre.
59Ele disse estas coisas enquanto ensinava na sinagoga, em Cafarnaum. 60Ao ouvirem isto, muitos dos seus discípulos disseram: — Duro é este ensino. Quem o pode aceitar?
Quando Muitos Se Afastam
61Sabendo consigo mesmo que os seus discípulos murmuravam a respeito disto, Jesus lhes disse: — Isto vos escandaliza?
62Que será, então, se virdes o Filho do Homem subir para onde estava antes? 63O Espírito é que dá vida; a carne para nada aproveita. As palavras que eu vos disse são espírito e vida. 64Contudo, há alguns dentre vós que não creem. Pois Jesus sabia, desde o princípio, quais eram os que não criam e quem havia de traí-lo. 65E acrescentou: — Por isso é que vos disse: ninguém pode vir a mim, se pelo Pai não lhe for concedido.
66A partir de então, muitos dos seus discípulos voltaram atrás e já não andavam com ele.
67Perguntou, então, Jesus aos doze: — Quereis vós também retirar-vos?
68Respondeu-lhe Simão Pedro: — Senhor, para quem iríamos? Tu tens as palavras da vida eterna. 69E nós temos crido e conhecido que tu és o Santo do nosso Pai.
70Jesus lhes respondeu: — Não vos escolhi eu, os doze? Contudo, um de vós é um diabo.
71Ele se referia a Judas, filho de Simão Iscariotes; pois este, sendo um dos doze, estava para traí-lo.