O Pai Não Comete Injustiça
Eliú cita as palavras de Jó de volta para ele e defende a justiça do Pai: aquele que governa todas as coisas não pode perverter o que é reto, não faz acepção de reis e vê cada passo dado no escuro. Sua conclusão é dura: Jó merece ser provado até o limite.
34 1Então Eliú continuou e disse: 2“Ouçam as minhas palavras, ó sábios; prestem-me atenção, vocês que têm conhecimento. 3Pois o ouvido prova as palavras, como o paladar experimenta a comida. 4Escolhamos para nós o que é justo; conheçamos entre nós o que é bom. 5Pois Jó disse: ‘Eu sou justo, e Deus me negou justiça; 6ainda que eu tenha razão, sou tido por mentiroso; a minha ferida é incurável, embora eu esteja sem rebeldia.’ 7Que homem há como Jó, que bebe o escárnio como água, 8que anda em companhia dos malfeitores e caminha com os homens perversos? 9Pois ele disse: ‘Nada aproveita ao homem deleitar-se em Deus.’ 10Portanto, ouçam-me, ó homens de entendimento: longe esteja de Deus a impiedade, e do Todo-Poderoso, a injustiça. 11Pois, segundo a obra do homem, ele lhe retribui, e conforme os seus caminhos faz cair sobre ele o que merece. 12Certamente Deus não procede impiamente, e o Todo-Poderoso não perverte a justiça. 13Quem lhe confiou o encargo da terra, e quem pôs sobre ele o mundo inteiro? 14Se ele pusesse o seu coração no homem e para si recolhesse o seu espírito e o seu fôlego, 15toda a carne juntamente pereceria, e o homem voltaria ao pó. 16Se você tem entendimento, ouça isto; escute o som das minhas palavras. 17Acaso governará aquele que odeia a justiça? Você condenará aquele que é justo e poderoso, 18aquele que diz a um rei: ‘Homem indigno’, e aos nobres: ‘Homens perversos’, 19que não faz acepção de príncipes, nem dá mais valor ao rico do que ao pobre, pois todos são obra das suas mãos? 20Num momento morrem; à meia-noite os povos são abalados e passam, e os poderosos são removidos sem intervenção de mão humana. 21Pois os seus olhos estão sobre os caminhos do homem, e ele vê todos os seus passos. 22Não há treva nem sombra profunda onde possam esconder-se os malfeitores. 23Pois Deus não precisa examinar mais demoradamente o homem, para que este compareça diante dele em juízo. a a v23 O ponto de Eliú: Deus não precisa de audiência formal nem de hora marcada para executar o juízo — ele simplesmente age. 24Ele quebranta os poderosos sem indagação e coloca outros em seu lugar. 25Assim, conhecendo as suas obras, ele os transtorna durante a noite, e ficam esmagados. 26Ele os fere por causa da sua impiedade à vista dos que os observam, 27porque se desviaram de segui-lo e não atentaram para nenhum dos seus caminhos, 28de modo que fizeram subir a ele o clamor do pobre, e ele ouviu o clamor dos aflitos. 29Quando ele se aquieta, quem poderá condená-lo? Quando esconde o rosto, quem poderá contemplá-lo—quer seja uma nação, quer um só homem, 30para que não reine o homem ímpio nem enlace o povo. 31Pois será que alguém disse a Deus: ‘Sofri o castigo; não pecarei mais; 32ensina-me aquilo que não vejo; se cometi injustiça, não a tornarei a fazer’? 33Retribuirá ele segundo os seus próprios termos, porque você rejeita a correção dele? Pois você é que deve escolher, e não eu; portanto, declare o que sabe. 34Os homens de entendimento me dirão, e todo homem sábio que me ouvir dirá: 35‘Jó fala sem conhecimento; as suas palavras são sem discernimento.’ 36Oxalá Jó fosse provado até ao limite por responder como os homens perversos! 37Pois ao seu pecado ele acrescenta a rebeldia; escarnece de nós abertamente e multiplica as suas palavras contra Deus.”