Nosso Pai Multiplica o Azeite da Viúva
Quatro histórias de Eliseu: nosso Pai enche todas as vasilhas emprestadas a partir da única botija de azeite de uma viúva; uma sunamita ganha o filho que nunca pediu e, quando ele morre, Eliseu se estende sobre ele até que espirre; a morte sai de uma panela de ensopado; cem homens comem vinte pães.
4 1A mulher de um dos filhos dos profetas clamou a Eliseu: “Teu servo, meu marido, morreu, e tu sabes que o teu servo temia o nosso Pai. Agora, o credor veio para levar os meus dois filhos como escravos.”
2Eliseu perguntou: “Que posso fazer por ti? Dize-me, o que tens em casa?” Ela respondeu: “A tua serva não tem nada em casa, a não ser uma botija de azeite.”
3Então ele disse: “Vai, pede emprestadas vasilhas a todos os teus vizinhos, vasilhas vazias, e que não sejam poucas. 4Depois entra, fecha a porta atrás de ti e dos teus filhos e derrama o azeite em todas essas vasilhas; e, à medida que se forem enchendo, põe-nas de lado.”
5Assim, ela se retirou dele, fechou a porta atrás de si e dos seus filhos; eles lhe traziam as vasilhas, e ela ia derramando. 6Quando as vasilhas estavam cheias, ela disse ao seu filho: “Traze-me ainda outra.” Ele respondeu: “Não há mais nenhuma.” Então o azeite parou.
7Ela veio e o contou ao homem de nosso Pai, que disse: “Vai, vende o azeite, paga a tua dívida; e do que sobrar vivei tu e os teus filhos.”
A Promessa do Pai à Sunamita
8Certo dia, Eliseu passou por Suném, onde vivia uma mulher rica, que insistiu com ele para que ficasse a comer. E, todas as vezes que passava, ele parava ali para comer. 9Ela disse ao seu marido: “Vê, eu sei que este que sempre passa por nós é um santo homem de nosso Pai. 10Façamos-lhe um pequeno quarto no terraço, com cama, mesa, cadeira e candeeiro, para que ele fique ali sempre que vier a nós.”
11Certo dia, veio Eliseu ali, recolheu-se ao quarto de cima e ali se deitou. 12E disse a Geazi, seu servo: “Chama esta sunamita.” Ele a chamou, e ela se apresentou diante dele. 13Eliseu disse a Geazi: “Dize-lhe: Tu te deste todo este trabalho por nós. Que se pode fazer por ti? Queres que eu fale por ti ao rei ou ao comandante do exército?” Ela respondeu: “Eu habito no meio do meu povo.”
14Ele perguntou: “Que se pode fazer por ela?” Geazi disse: “Ora, ela não tem filho, e o seu marido é velho.”
15Então ele disse: “Chama-a.” Geazi a chamou, e ela ficou à porta. 16E ele disse: “Por este tempo, no ano que vem, abraçarás um filho.” Ela respondeu: “Não, senhor meu, homem de nosso Pai, não mintas à tua serva.”
17A mulher concebeu e deu à luz um filho, naquele tempo determinado, no ano seguinte, como Eliseu lhe dissera.
18O menino cresceu; e, certo dia, saiu para junto de seu pai, que estava com os segadores. 19E disse ao seu pai: “Ai, a minha cabeça! A minha cabeça!” O pai disse a um servo: “Leva-o à sua mãe.”
20Ele o tomou e o levou à sua mãe; o menino ficou sobre os joelhos dela até o meio-dia, e então morreu. 21Ela subiu, deitou-o sobre a cama do homem de nosso Pai, fechou a porta e saiu. 22Chamou o seu marido e disse: “Manda-me um dos servos e uma das jumentas, para que eu corra até o homem de nosso Pai e volte.”
23Ele perguntou: “Por que queres ir a ele hoje? Não é lua nova nem sábado.” Ela respondeu: “Está tudo bem.”
24Então ela albardou a jumenta e disse ao seu servo: “Toca e anda; não me faças parar na marcha, a não ser quando eu te disser.” 25Ela partiu e foi ter com o homem de nosso Pai, ao monte Carmelo. Quando o homem de nosso Pai a viu de longe, disse a Geazi, seu servo: “Eis ali a sunamita. 26Corre, agora, ao seu encontro e pergunta-lhe: ‘Vais bem? Vai bem o teu marido? Vai bem o menino?’” Ela respondeu: “Vai tudo bem.”
27Quando chegou ao homem de nosso Pai, no monte, agarrou-lhe os pés. Geazi se aproximou para afastá-la, mas ele disse: “Deixa-a, porque a sua alma está em amargura, e o nosso Pai mo encobriu e não mo revelou.”
28Então ela disse: “Acaso pedi eu ao meu senhor um filho? Não disse eu: Não me iludas?”
29Eliseu disse a Geazi: “Cinge os teus lombos, toma o meu cajado na mão e vai. Se encontrares alguém, não o saúdes; e, se alguém te saudar, não lhe respondas. Depois põe o meu cajado sobre o rosto do menino.”
30Porém a mãe do menino disse: “Tão certo como vive o nosso Pai e vive a tua alma, não te deixarei.” Então ele se levantou e a seguiu.
31Geazi passou adiante deles e pôs o cajado sobre o rosto do menino; porém não houve nele voz nem sinal de vida. Voltou, pois, a encontrar-se com Eliseu e lhe disse: “O menino não despertou.”
32Quando Eliseu entrou na casa, eis que o menino estava morto, deitado sobre a sua cama. 33Então entrou, fechou a porta sobre ambos e orou ao nosso Pai. 34Subiu e deitou-se sobre o menino, boca sobre boca, olhos sobre olhos, mãos sobre mãos; e, estando assim estendido sobre ele, o corpo do menino aqueceu. 35Depois se levantou, andou pelo quarto de um lado para outro, tornou a subir e a estender-se sobre o menino. O menino espirrou sete vezes e abriu os olhos. 36Então Eliseu chamou Geazi e disse: “Chama esta sunamita.” Ele a chamou; ela veio a ele, e ele disse: “Toma o teu filho.”
37Ela veio, prostrou-se a seus pés e inclinou-se até o chão; então tomou o seu filho e saiu.
O Pai Cura o Ensopado Mortífero
38Eliseu voltou a Gilgal, e havia fome na terra. Estando os filhos dos profetas assentados diante dele, disse ao seu servo: “Põe a panela grande ao fogo e faze um ensopado para os filhos dos profetas.”
39Então um deles saiu ao campo a colher ervas e achou uma parreira brava; e colheu dela uma porção de coloquíntidas, que trouxe na dobra da roupa, e, vindo, cortou-as na panela do ensopado, pois não sabiam o que eram. 40Assim, tiraram para os homens comerem; mas, ao provarem o ensopado, clamaram: “Homem de nosso Pai, há morte na panela!” E não puderam comer.
41Ele, porém, disse: “Trazei farinha.” Deitou-a na panela e disse: “Tirai para o povo, para que coma.” E não havia mais mal nenhum na panela.
42Veio um homem de Baal-Salisa e trouxe ao homem de nosso Pai pães das primícias, vinte pães de cevada, e espigas verdes na sua sacola. E Eliseu disse: “Dá ao povo, para que coma.”
43Mas o seu servo disse: “Como hei de pôr isto diante de cem homens?” Ele tornou a dizer: “Dá ao povo, para que coma; porque assim diz o nosso Pai: Comerão, e ainda sobrará.”
44Então lho pôs diante; e comeram, e ainda sobrou, conforme a palavra do nosso Pai.